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Linhas de Cuidado

Volume 1 - Manual do Gestor

Puericultura e seguimento ambulatorial em RN de risco (follow up)

As crianças com maior vulnerabilidade para o desenvolvimento de sequelas e que necessitam de seguimento especializado compreendem as que apresentaram: muito baixo peso ao nascer; anóxia perinatal grave; problemas neurológicos: encefalopatia hipóxico-isquêmica, acidente vascular cerebral, sangramento de sistema nervoso central, leucomalácia, meningite, convulsão; alterações do exame neurológico; broncodisplasia; hiperbilirrubinemia; distúrbios metabólicos graves; infecções congênitas; malformações e síndromes genéticas.

Os principais objetivos do seguimento ambulatorial, das crianças que permaneceram internadas em unidade de terapia intensiva neonatal (UTIN), incluem:

• Realizar avaliação clínica periódica

• Detectar precocemente alterações do desenvolvimento global da criança

• Intervir, prevenir ou minimizar alterações e complicações

• Fornecer suporte para crianças com necessidades especiais como aquelas com dependência crônica de oxigênio, em uso de oxigênio domiciliar, as que apresentam sucção ineficaz, as que necessitam de alimentação por sonda gástrica ou gastrostomia; as crianças com traqueostomia ou outras estomias

• Dar apoio para as famílias

• Efetuar treinamento de profissionais envolvidos no seguimento ambulatorial

• Realizar e pesquisas sobre qualidade de atendimento da UTIN e de seguimento de grupos específicos de crianças

O seguimento ambulatorial inicia-se com um adequado planejamento da alta hospitalar onde devem ser previstas as estratégias do acompanhamento e o esclarecimento dos pais com relação aos diagnósticos, potenciais sequelas e cuidados com a criança.

Planejamento para a alta hospitalar

Os critérios necessários para a alta hospitalar variam de acordo com a experiência de cada serviço, que em geral incluem estabilidade clínica da criança, controle térmico adequado, alimentação via oral, ganho de peso, ausência de apneia, boa interação mãe-filho, mãe segura quanto à amamentação e aos cuidados com a criança.

Cuidados gerais — Um relatório de alta contendo a história materna e gestacional, condições de nascimento, diagnósticos, procedimentos, medicações utilizadas, resultados de exames, avaliação neurológica, necessidade de seguimento e interconsultas com especialistas, recomendações e planejamento do acompanhamento facilita a condução da criança tanto na unidade básica de saúde quanto no ambulatório de seguimento.

Educação dos pais — É necessário capacitar os pais, principalmente aqueles que prestarão cuidados especiais com seus filhos, como oxigenioterapia domiciliar, alimentação por gavagem, administração de medicações específicas, cuidados com estomias, entre outros. Orientar os pais em como reconhecer sinais de alerta (apneia, dispneia, cianose, palidez, icterícia, convulsão, irritabilidade, hipoatividade, recusa alimentar, etc.) e quais procedimentos deverão ser realizados nestas situações. Explicar as receitas e ensinar a manipulação dos medicamentos com antecedência.

Cuidados domiciliares — Além da identificação e da capacitação de quem vai cuidar da criança, avaliação dos recursos domiciliares, assegurar equipamentos e materiais necessários para os cuidados da criança; visita domiciliar ou serviços de suporte comunitário; adequação do espaço físico no domicílio; cuidados de emergência e transporte e suporte social para a família.

Atendimento no ambulatório de seguimento

Periodicidade das consultas — Primeira avaliação: primeira semana após a alta, de preferência nas primeiras 48 horas; esclarecer junto à mãe e familiares as dúvidas ou problemas que podem surgir nesses primeiros dias, avaliar a curva de peso, a aceitação alimentar e intercorrências.

O acompanhamento de puericultura para os bebês de baixo peso ao nascer deve ser realizado no ambulatório do hospital até que atinjam 2.500 g. Após isso, o bebê poderá ser acompanhado na rede de atenção básica e, se necessário, em ambulatórios de especialidades.

Rotinas das consultas — Investigação sobre queixas, intercorrências desde a última consulta, verificação do esquema de vacinação, uso de medicações, seguimento em outros ambulatórios especializados, resultados de exames, inquérito alimentar, padrão de sono, antropometria, exame físico e neurológico, avaliação sistemática do desenvolvimento, esclarecimento da família sobre a evolução clínica e neurológica da criança.

Em relação aos prematuros:

Utilizar a idade cronológica para o esquema normal de vacinação, enquanto que a corrigida deve ser usada para alimentação, para a avaliação do crescimento, do exame neurológico e do desenvolvimento.

Recomendada a utilização da idade corrigida até 18 meses para o perímetro cefálico, até 24 meses para o peso e avaliação neurológica e até 42 meses para o comprimento.

idade corrigida = idade cronológica (40 semanas — idade gestacional)



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