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Linhas de Cuidado

Volume 1 - Manual do Gestor

A humanização da atenção em saúde

Humanização em saúde é um processo de construção gradativa, consequência do compartilhamento de conhecimentos e de sentimentos entre a equipe de saúde e entre essa e o usuário/comunidade, de forma ética, reconhecendo cada um o seu papel, sua responsabilidade e seus limites, ao mesmo tempo em que percebe e valoriza o outro.

Esse movimento de troca e de empatia permite o desenvolvimento máximo das capacidades e potencialidades, resultando em ações práticas, qualificadas e satisfatórias para todos aqueles envolvidos na atenção à saúde.

Sendo assim, a Humanização em Saúde está baseada em três grandes pilares: a valorização e a satisfação dos profissionais, o atendimento das necessidades objetivas e subjetivas do usuário e da comunidade e a organização dos processos de trabalho, garantindo sua eficácia, resolubilidade, continuidade e acurácia técnica.

Para todos aqueles envolvidos com a atenção humanizada à criança, é indispensável o conhecimento da portaria de nº 1459, de 24 de junho de 2011, que institui a Rede Cegonha, projeto que prevê a constituição de uma “rede de cuidados que visa assegurar à mulher o direito ao planejamento reprodutivo e à atenção humanizada à gravidez, ao parto e ao puerpério, bem como à criança o direito ao nascimento seguro e ao crescimento e desenvolvimento saudáveis”.

Segundo a portaria, a Rede Cegonha tem como princípios: o respeito, a proteção e a realização dos direitos humanos; o respeito à diversidade cultural, étnica e racial; a promoção da equidade; o enfoque de gênero; a garantia dos direitos sexuais e dos direitos reprodutivos de mulheres, homens, jovens e adolescentes; a participação e a mobilização social e a compatibilização com as atividades das redes de atenção à saúde materna e infantil em desenvolvimento nos Estados, fomentando a implementação de novo modelo de atenção à saúde da mulher e à saúde da criança com foco na atenção ao parto, ao nascimento, ao crescimento e ao desenvolvimento da criança de zero aos 24 meses; organização da Rede de Atenção à Saúde Materna e Infantil para que esta garanta acesso, acolhimento e resolubilidade e redução da mortalidade materna e infantil com ênfase no componente neonatal.

O presente documento da Linha de Cuidado da Criança compartilha com o projeto Rede Cegonha seus principais pressupostos: continuidade da atenção garantida pela articulação dos distintos pontos de atenção à saúde, do sistema de apoio, do sistema logístico e da governança da rede; garantia do acesso; garantia do acolhimento com avaliação e classificação de risco e vulnerabilidade; qualificação da atenção com a garantia de boas práticas e segurança.

Embora não seja possível elencar um rol de ações humanizadas já que, por definição, toda a malha de processos deve estar impregnada pelo conceito de humanização, podemos destacar alguns aspectos particularmente importantes na construção de um sistema de saúde humanizado e qualificado:

Na gravidez — A oferta e a adesão da gestante a um programa de pré-natal de boa qualidade, o reconhecimento prévio do local onde se dará o parto, o acesso ágil e qualificado aos serviços de urgência/emergência, o encaminhamento com transporte adequado para a maternidade que ofereça a atenção necessária, especialmente nas gestações de risco são pontos importantes a serem considerados.

No momento do parto — O acolhimento, a presença do acompanhante, os cuidados adequados no pré-parto e a possível acomodação em quarto PPP são alguns dos itens a serem lembrados.

Na neonatologia — A Iniciativa Hospital Amigo da Criança e o projeto Mãe Canguru trazem um diferencial importante para o incentivo do vínculo mãe/filho, com uma série de outras vantagens. Para RN internados em UTI ou UCI, as condições ambientais (iluminação e/ou ruído, por exemplo) devem ser controladas de forma a proporcionar conforto e menos estímulos, a presença da mãe deve ser garantida, informações claras e sistemáticas à família devem ser fornecidas e a equipe de saúde capacitada para o manuseio adequado do bebê.

Após a alta hospitalar — A garantia de acesso rápido à atenção básica, a abordagem integral e a identificação de riscos biológicos ou sociais, a elaboração de um plano de cuidado que conte com a participação ativa da mãe/família são alguns dos destaques.

Em todas as etapas, a acurácia técnica deve ser garantida através do uso e do gerenciamento de protocolos institucionais, da capacitação contínua das equipes, da disponibilização dos recursos necessários e da supervisão e monitoramento dos processos.



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