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Linhas de Cuidado

Volume 3 - Acompanhamento da Criança

Parasitoses Intestinais mais frequentes na criança

As parasitoses intestinais são um problema de alta prevalência entre crianças e adolescentes de países subdesenvolvidos. No Brasil observa-se uma diminuição da prevalência das parasitoses intestinais, possivelmente em decorrência da melhora de fatores sociais, sanitários e da organização dos serviços de saúde.

A terapêutica medicamentosa é bastante satisfatória, mas as medidas profiláticas são indispensáveis.

Prevenção

Para a prevenção de parasitoses intestinais recomenda-se:

• Amamentar exclusivamente até os seis meses de idade, e complementado até os dois anos de idade .

• Higienizar de maneira adequada os utensílios utilizados na alimentação das crianças, proteger os utensílios de poeira e insetos .

• Lavar bem as frutas e verduras, ingerir água clorada, filtrada ou fervida (não ingerir água e alimentos de fontes duvidosas),

• Consumir carnes bem cozidas,

• Manter domicílio sem insetos (moscas, baratas, pulgas); proteger os alimentos de poeira e insetos,

• Não levar dedos ou objetos à boca; cuidar da higienização das unhas,

• Lavar as mãos antes de manipular alimentos e após utilizar o banheiro,

• Depositar as fezes humanas em locais adequados e não utilizá-las como adubo,

• Usar calçados,

• Pesquisar portadores assintomáticos entre familiares, pessoas que manipulam alimentos e trabalhadores de instituições como creches, asilos, presídios e escolas.

Diagnóstico laboratorial

As amostras de fezes devem ser adequadamente coletadas, conservadas e examinadas. Devem ser colhidas em três dias não consecutivos e cobertas para evitar desidratação ou contaminação. Se não puderem ser entregues para análise até uma hora após a coleta, devem ser conservadas em mertiolato, iodo, formol ou álcool de polivinila.

Existem vários métodos para detecção dos parasitas nas fezes e para que haja maior sensibilidade e especificidade nos resultados é necessário que se utilize a técnica adequada para cada parasita. Os métodos podem ser agrupados em:

• Diretos: identifica as formas vegetativas de protozoários

• Enriquecimento ou concentração:

— Hoffman, Lutz, Pons e Janer (eficiente na pesquisa de cistos de protozoários e de ovos pesados de helmintos como: áscaris, esquistossoma e cestóides)

— Método quantitativo de Kato modificado por Katz (fornece o número   de ovos pesados/por grama de fezes; preconizado para ovos pesados de helmintos e de Trichura trichiuris)

— Método de Willis (pesquisa de ovos leves de ancilostomídeos, oxiúros e Trichura trichiuris)

— Método da centrífugo-flutuação em sulfato de zinco (Faust) ou da centrífugo-sedimentação em formol-éter (pesquisa de cistos de protozoários em fezes formadas e de ovos leves de helmintos)

— Método de Baerman-Morais ou de Rugai (pesquisa de estrongilóides)

• Outros métodos:

— Tamização das fezes (diagnóstico de teníase)

— Swab anal (oxiuríase)

— Biópsia de válvula retal (esquistossomose)

— Biópsia duodenal e análise direta e após coloração pela hematoxilina férrica das fezes, raspado retal ou do mucoduodenal (giardíase ou amebíase)

— Intradermorreação e determinação de anticorpos séricos (esquistossomose, amebíase e giardíase)

— Pesquisa de oócistos de criptosporideo e de isospora (coloração pela safranina e azul de metileno)

Principais parasitas

Protozoários:

• Giardia lamblia (Giardíase)

• Entamoeba hystolítica (Amebíase)

Metazoários: 

Com ciclo pulmonar

• Ascaris lumbricóides (Ascaridíase)

• Strongyloides stercoralis (Estrongiloidíase)

• Ancylostoma duodenale (Ancilostomíase)

• Necator americanus (Necatoríase)

• Schistosoma mansoni (Esquistossomose)

Sem ciclo pulmonar

• Enterobius vermiculares (Enterobíase)

• Trichura trichiuris (Tricuríase)

• Taenia solium e saginata (Teníase)

• Hymenolepis nana (Himenolepíase)

Tratamento

O tratamento profilático é discutível, tem sido preconizado para locais com alta prevalência (superior a 50% em pré-escolares e escolares) em dois ciclos anuais com intervalo de seis meses.

Em casos de poliparasitismo, recomenda-se utilizar drogas polivalentes e iniciar o tratamento para parasitas com risco de migração e para os que comprometem mais o estado geral da crianças.

Os pacientes que serão submetidos a anestesia geral, devem tratar previamente os parasitas com capacidade migratória (por exemplo, Ascaris lumbricóides).

Para os pacientes que serão submetidos à terapêutica com imunossupressor, deve-se optar pelo tratamento de parasitas com capacidade de disseminação (Strongilóides stercolaris).

As opções de tratamento das parasitoses intestinais mais frequentes na infância são apresentadas no QUADRO 1.

QUADRO1. Tratamento das parasitoses intestinais mais frequentes na infância.

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