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Linhas de Cuidado

Volume 3 - Acompanhamento da Criança

Insuficiência respiratória

Insuficiência respiratória (IR) é a incapacidade do sistema respiratório de atender as demandas do oxigênio e/ou eliminar o dióxido de carbono.

Define-se IR como a diminuição de pO2 (<60 mmHg) e/ou aumento da pCO2 (>50 mmHg) em paciente respirando ao nível do mar e com fração de oxigênio inspirada de 21% e sem alteração cardíaca.

FATORES PREDISPONENTES:

A insuficiência respiratória (IR) é importante causa de morbidade e mortalidade na faixa etária pediátrica, sendo causa frequente de internação em unidades de terapia intensiva pediátrica.

Existem diferenças anatômicas, fisiológicas imunológicas e histológicas de pacientes pediátricos em relação a adultos que predispõem a IR.

Diferenças anatômicas:

a. Menor calibre das vias aéreas (diâmetro e comprimento)

b. Maior tamanho da língua

c. Forma da epiglote

d. Abertura anteriorizada das cordas vocais

e. Inclinação do brônquio fonte direito

f. Caixa torácica mais elástica e complacente

Diferenças fisiológicas:

a. Respiração predominantemente nasal

b. Maior taxa metabólica

c. Presença da hemoglobina fetal

Diferenças histológicas:

a. Menor superfície alveolar

b. Maior número de fibras musculares imaturas

c. Menor número de poros interalveolares

Diferenças imunológicas:

a. Sistema imunológico imaturo.

CLASSIFICAÇÃO:

A IR pode ser classificada quanto ao tipo, evolução e local de origem.

Tipo:

a. Hipoxêmica: ocorre predominantemente a diminuição da pO2.

Exemplos: pneumonia intersticial, síndrome do desconforto respiratório agudo

b. Hipercápnica: coexistem hipoxemia e hipercapnia.

Exemplos: asma, bronquiolite.

Evolução:

a. Aguda: alteração de pO2 e/ou pCO2 e/ou pH.

b. Crônica: sempre que ocorrer alcalose metabólica após manutenção elevada da pCO2.

Local de origem:

a. Sistema nervoso central: síndrome do coma, intoxicações exógenas (opiáceos, barbitúricos), infecções do sistema nervoso central, trauma cranioencefálico, tumores.

b. Medula espinhal, junção neuromuscular e músculos estriados: polirradiculoneurite, poliomielite, tétano, drogas curarizantes, organofosforados, miastenia grave, distrofia muscular, esclerose lateral amiotrófica, distúrbios eletrolíticos (hipomagnesemia, paralisia hipocalemica)

c. Vias aéreas superiores: laringite, corpo estranho, traqueomalacia, epiglotite, difteria, trauma, tumores,

d. Vias aéreas inferiores: asma, bronquiolite

e. Parênquima: pneumonia, aspiração de mecônio, fibrose cística, edema pulmonar, contusão pulmonar

f. Pleura: derrame pleural, tumores

g. Parede torácica: cifoescoliose, trauma, paralisia nervo frênico, neuromiopatias (síndrome de Werdnig-Hoffmann)

h. Outros: sepse, cetoacidose diabética, metahemoglobinemia, sobrecarga de líquidos, limitação da movimentação diafragmática (ascite, distensão abdominal)

Manifestações clínicas:

O aumento do trabalho respiratório antecede a alteração dos gases arteriais, salientando-se a importância da clinica para diagnóstico de IR. Os sintomas podem ser respiratórios ou extrarrespiratórios.

Gerais: sudorese, anorexia, náuseas, fadiga.

Respiratórios: aumento da frequência respiratória de acordo com faixa etária, sibilo, gemência, batimento de asa de nariz, tiragem e retração da parede torácica.

A Organização Mundial de Saúde aceita como limites superiores da frequência respiratória para as diferentes faixas etárias os seguintes valores:

Menores 2 meses – 60 incursões respiratórias por minuto (irpm)

2 a 11 meses – 50 irpm

1 a 4  anos – 40 irpm

Maiores 4 anos – 20 irpm

Extrarrespiratórios:

Cardiovasculares: aumento frequência cardíaca de acordo com idade, disritmias,

Sistema nervoso: irritabilidade, cefaleia, convulsão, confusão mental.

Alguns sistemas de ponto são utilizados para avaliação inicial e para avaliação da resposta terapêutica (apresentados nos quadros 1 e 2).

Quadro 1. Avaliação clínica da obstrução de vias aéreas superiores associada à laringite ou laringotraqueobronquite viral.

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Sistema de pontos para avaliação clínica da asma aguda

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Existem métodos complementares para avaliação de IR:

Saturimetria – o valor normal é maior ou igual a 92% em ar ambiente; há fatores que podem interferir nessa mensuração: hipotensão, hipotermia.

Gasometria arterial – deve ser realizado quando existirem dúvidas em relação à indicação de suporte ventilatório invasivo.

Tratamento:

O princípio do tratamento é o de antecipar e reconhecer o problema respiratório oferecendo suporte e repondo funções comprometidas. Inclui, se possível, reversão da etiologia, oxigenioterapia e outras medidas de suporte. O uso excessivo de oxigênio pode causar toxicidade pulmonar.



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