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Linhas de Cuidado

Volume 3 - Acompanhamento da Criança

Gengivoestomatites

É doença caracterizada por lesões vesiculares na cavidade oral que evoluem para ulcerações.

Os agentes etiológicos mais frequentes são os vírus herpes simplex e o enterovírus coxsackie.

A gengivoestomatite herpética primária é altamente contagiosa, pode ocorrer em todas as idades, mas afeta tipicamente crianças (mais comum na faixa etária de 6 meses até 5 anos) e tem elevada taxa de recorrência da infecção. Os sintomas podem variar de um leve desconforto até encefalite. Apenas cerca de 5% a 10% dos pacientes inicialmente infectados desenvolvem lesões clínicas. Em geral, inicia-se com pequenas lesões vesiculares dolorosas, seguidas de febre alta, salivação e perda de apetite e evolução para úlceras. Acomete toda a cavidade oral e é comum a criança apresentar aumento de linfonodos submandibulares, submaxilares e cervicais. Dura em média 7 a 10 dias.

O vírus coxsackie, além das lesões na boca e febre, pode ocasionar lesões vesiculares em palmas das mãos e plantas dos pés, caracterizando a síndrome mão-pé-boca. Pode durar até sete dias.

As principais complicações das gengivoestomatites são: infecção secundária da mucosa oral por fungos e bactérias, desidratação e hipoglicemia decorrentes da baixa ingestão de líquidos e alimentos, miocardite viral (geralmente pelo Coxsackie).

A gestão do cuidado nas estomatites consiste em:

• Uso de analgésico e antitérmico para alívio dos principais sintomas.

• Higienização oral.

• Hidratação.

• Dieta fracionada, com alimentos pastosos ou líquidos não ácidos e em temperatura amena.

• Uso de antibióticos nos casos de infecção secundária bacteriana.

• Monitoramento de sinais de alerta (taquicardia, febre persistente, recusa alimentar).

• Retorno para reavaliação em uma semana, ou antes, se necessário. Continuidade de seguimento de Puericultura

Anestésicos tópicos ou antiinflamatórios não têm benefícios e são contraindicados para crianças pequenas.

Aciclovir: tem sido prescrito para gengivoestomatite herpética primária, porém uma revisão sistemática da Cochrane Library identificou apenas um ensaio clínico randomizado controlado que analisou a eficácia deste fármaco. As provas foram fracas quanto à sua eficácia para reduzir o número de lesões orais, impedir o desenvolvimento de novas lesões extraorais, diminuir o número de indivíduos com dificuldades para comer e beber e reduzir o número de internações de crianças menores de 6 anos de idade. Tem sido utilizado em casos graves hospitalizados e em imunodeprimidos.



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