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Linhas de Cuidado

Volume 3 - Acompanhamento da Criança

Edema

DEFINIÇÃO

Edema é definido como acúmulo de líquido no espaço intersticial (espaço entre as células de um órgão ou tecido orgânico), que pode ser localizado (ascite, efusão pleural) ou generalizado (anasarca).

FISIOPATOLOGIA

Para que o edema ocorra, deve haver uma quebra dos mecanismos que controlam a distribuição do volume de líquido no espaço intersticial. A fisiopatologia do edema é complexa e multifatorial. Essa desregulação pode ser localizada e envolver apenas os fatores que influenciam o fluxo de fluido ao longo do leito capilar, ou, ainda, pode ser secundária a alterações dos mecanismos de controle do volume do compartimento extracelular e do líquido corporal total, o que, na maioria das vezes, ocasiona edema generalizado.

O edema pode ser classificado de acordo com a extensão (localizado ou generalizado) e com a etiologia (alteração na permeabilidade do vaso, aumento da pressão hidrostática, diminuição da pressão oncótica e diminuição drenagem linfática).

DIAGNÓSTICO

O diagnóstico de edema é baseado na história e exame físico.

Devem ser investigados os sinais e sintomas específicos de falência cardíaca, insuficiência hepática e doença renal.

Na grande maioria das vezes está acompanhado de outros sintomas ou sinais que auxiliam no diagnóstico etiológico.

Os dados antropométricos da criança podem estar diminuídos na insuficiência renal crônica. Pode ocorrer taquipnéia e taquicardia na insuficiência cardíaca. A hipertensão arterial pode indicar uma glomerulonefrite ou insuficiência renal. Edema não depressível pode ser associado a mixedema (linfedema ou doença tireoideana).

Para pacientes sem causa aparente do edema no seu estudo diagnóstico deve ser excluídas as causas renais e cardíacas.

DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL

Baseado na localização e mecanismo fisiopatológico:

• Edema localizado:

• Aumento da permeabilidade capilar: angioedema, infecções de pele.

• Aumento pressão hidrostática: trombose venosa profunda.

• Obstrução linfática: linfedema.

• Edema generalizado:

• Diminuição pressão oncótica (hipoproteinemia):

• Hereditárias: analbuminemia, deficiência tripsinogênio.

• Baixa ingesta: desnutrição primária.

• Diminuição absorção: fibrose cística, doença celíaca.

• Diminuição síntese: doenças hepáticas.

• Aumento perdas: síndrome nefrótica, enteropatia perdedora pro-

  teína, grande queimado.

• Aumento metabolismo: hipertireoidismo, diabete melito tipo1, tu-

  berculose, paracoccidioidomicose.

• Aumento pressão hidrostática:

• Hipertensão venosa: insuficiência cardíaca, doenças do pericár-

  dio.

• Aumento de líquido intravascular: síndrome nefrítica, secreção

  inapropriada hormônio antidiurético, excesso de hidratação endo-

  venosa.

TRATAMENTO

Baseia-se na gênese do edema, por isso é fundamental entender os mecanismos fisiopatológicos para estabelecer a terapêutica adequada.



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