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Linhas de Cuidado

Volume 3 - Acompanhamento da Criança

Corpos Estranhos de Vias Aéreas

Corpos estranhos nas vias aéreas superiores e no sistema digestivo são relativamente frequentes nas crianças.

Há grande variedade de objetos que podem ser encontrados nos exames, incluindo corpos inertes (espuma, papel, borracha, contas, sementes, grafite de lápis, etc), corrosivos (bateria eletrônica) ou animados (insetos, vermes).

O cuidado tem como princípio norteador a prevenção, o diagnóstico precoce e o encaminhamento oportuno ao especialista.

NARIZ

Corpos estranhos podem ser encontrados em qualquer porção da cavidade nasal, mas em geral são descobertos logo abaixo do corneto inferior. Estes objetos costumam ser colocados por crianças ou pessoas mentalmente comprometidas, cuja curiosidade os leva a explorar orifícios do corpo.

Quadro clínico

A secreção nasal mucopurulenta unilateral com odor fétido é o achado mais consistente. Às vezes a secreção tem laivos de sangue. A vestibulite unilateral subsequente à presença de corpo estranho no nariz é sintoma característico e específico da faixa etária pediátrica. Em geral, são quadros indolores.

Em pacientes com corpos estranhos animados tendem a apresentar sintomas em ambas as narinas. Podem ocorrer oclusão nasal, dores de cabeça, espirros com secreção serosanguinolenta e febre.

É necessário diferenciar de sinusites, rinites bacterianas ou atresia de coana unilateral.

Diagnóstico

O sucesso no diagnóstico e tratamento de corpos estranhos nasais depende de exame cuidadoso da cavidade nasal e das estruturas adjacentes.

A rinoscopia anterior em geral já mostra o corpo estranho. A mucosa nasal apresenta-se hiperemiada e edemaciada, com secreção. O exame endoscópico nasal é necessário se o corpo estranho não for visualizado.

Tratamento

Evitar a retirada do corpo estranho sem material adequado ou sem a imobilização firme da criança.

Objetos soltos no espaço pós-nasal acidentalmente podem ser aspirados na tentativa de remoção e causar grave obstrução respiratória.

Objetos de fácil visualização e de fácil preensão como espuma, papel, borracha podem ser removidos com pinças do tipo baioneta ou jacaré.

Na retirada de objetos sólidos ou quando não reconhecidos, utilizar sonda de Itard para a remoção.

Dar atenção especial a baterias de brinquedos eletrônicos que, quando em contato com a secreção nasal, podem sofrer corrosão e liberação de substância cáustica, causando queimadura de mucosa ou perfuração septal. A remoção desses botões de bateria deve ser realizada o mais rapidamente possível, seguida de lavagem e aspiração da cavidade nasal.

Avaliar cuidadosamente a cavidade nasal após remoção do corpo estranho para se certificar de que não existe outro objeto.

Anestesia geral poderá ser necessária, dependendo da dificuldade de remoção ou do grau de manuseio anterior, acompanhada pelo otorrinolaringologista.

ORELHAS

Quadro clínico

Nas crianças, em geral, é assintomático, e os corpos estranhos são visualizados pelos pais ou no exame otoscópico durante o exame físico.

Os corpos estranhos mais comumente encontrados são contas, brinquedos de plástico, seixos e pipoca; insetos são mais frequentes em pessoas com mais de 10 anos.

Tratamento

A remoção é realizada com a imobilização da criança, utilizando-se material adequado e com boa visualização do conduto auditivo externo.

Devem-se evitar traumatismos no conduto auditivo externo, pois hematomas, edema e sangramento irão dificultar a retirada.

Corpos estranhos animados podem ser imobilizados com óleo ou anestésico tópico ou álcool antes de sua retirada.

Objetos visíveis e palpáveis muitas vezes podem ser removidos sem encaminhamento ao especialista.

Objetos rígidos, não palpáveis, esféricos próximos à membrana timpânica necessitarão de encaminhamento ao especialista.

INGESTÃO DE CORPOS ESTRANHOS

A ingestão de corpo estranho pode ser um problema sério em crianças de seis meses a três anos de idade.

A maioria dos corpos estranhos ingeridos é eliminada espontaneamente, mas podem ocorrer complicações graves, como perfuração e obstrução esofágica e gastrointestinal.

Os lugares mais comuns para obstrução por corpo estranho são a área cricofaríngea, terço médio e inferior do esôfago, piloro e válvula ileocecal.

Quadro clínico

A presença de objetos no esôfago pode ser assintomática ou levar a sintomas que variam de sibilância e vômitos à irritabilidade generalizada e distúrbios de comportamento. Corpos estranhos esofágicos de longa data podem causar a falha de crescimento ou pneumonia aspirativa recorrente. A perfuração do esôfago pode resultar no inchaço do pescoço, crepitações e pneumomediastino.

Perfurações no estômago ou intestinos podem ocasionar febre, dor e sensibilidade abdominal. A obstrução intestinal pode provocar distensão, dor e sensibilidade abdominal.

Diagnóstico

As radiografias simples geralmente são utilizadas na investigação inicial de pacientes com suspeita de ingestão de corpo estranho, mas lembrar que  muitos objetos são radiotrasparentes.

Tratamento1

A endoscopia é recomendada em paciente com bateria eletrônica ou objeto pontiagudo alojados no esôfago.

A observação é recomendada em paciente com objeto pequeno, sem ponta, localizado abaixo do diafragma ou paciente assintomático com objeto além do alcance do endoscópio.

A remoção cirúrgica deve ser considerada para objeto contundente localizado além do estômago e que permanece no mesmo local por mais de uma semana.

INALAÇÃO DE CORPOS ESTRANHOS

A inalação acidental de corpos estranhos orgânicos e não orgânicos é importante causa de morbidade e mortalidade infantil. Prevenir a ocorrência é melhor, mas o reconhecimento precoce é um fator crítico para o tratamento oportuno.

O ato de comer é circunstância comum, podendo ocorrer aspiração de alimentos de tamanho pequeno.

Quadro clínico

Os sintomas mais comuns são tosse, engasgo, dispneia aguda e início súbito de sibilância.

Diagnóstico

A confirmação é feita por broncoscopia flexível.

Tratamento

A extração do corpo estranho é geralmente realizada por broncoscopia rígida.



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