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Linhas de Cuidado

Volume 3 - Acompanhamento da Criança

Bronquiolite viral aguda

Bronquiolite é a infecção dos bronquíolos causada por vírus variados: vírus sincicial respiratório humano (mais frequente), rinovírus, enterovírus, adenovírus, metapneumovírus, influenza, parainfluenza, bocavírus.

A bronquiolite viral aguda (BVA) é doença frequente em lactentes. A maioria dos casos evolui com quadros leves que não necessitam de hospitalização.

São fatores de risco para maior gravidade da bronquiolite a idade precoce de aquisição da doença, o antecedente de prematuridade e a presença de comorbidades pré-existentes, como displasia broncopulmonar, cardiopatia congênita cianótica, neuropatias e imunodepressão.

A gestão do cuidado na bronquiolite é ancorada no fornecimento de medidas de prevenção da doença e de tratamento da criança doente que a mantenha clinicamente estável, com boa oxigenação e hidratação.

Preconizam-se que as decisões sejam baseadas em provas científicas para  reduzir o uso de terapias e a realização de exames complementares desnecessários, e para orientar padrões de referência de atenção primária para a secundária e terciária

Prevenção

Prevenir a hospitalização e gravidade da doença deve ser prioridade no cuidado de infecções do trato respiratório inferior.

Medidas de prevenção na comunidade

Medidas para prevenir bronquiolite aguda devem ser discutidas com os pais de recém-nascidos antes da alta da maternidade e em visitas de acompanhamento nos primeiros anos de vida.

Estas medidas específicas incluem: ênfase à lavagem das mãos, eliminação da exposição à fumaça ambiental do tabaco ou à poluição, limitação da exposição a contágio com irmãos, estímulo e apoio ao aleitamento materno.

As crianças que atendem aos critérios definidos no Programa de Prevenção da Infecção pelo Vírus Sincicial Respiratório da SES/SP devem ser encaminhadas a instâncias competentes do SUS para tratamento profilático com palivizumabe.3 

Avaliação e Diagnóstico

Lactentes com bronquiolite aguda podem apresentar uma grande variedade de sintomas clínicos e de gravidade, desde infecções respiratórias leves a insuficiência respiratória iminente.

O diagnóstico de bronquiolite e sua gravidade tem como base a interpretação dos achados clínicos característicos obtidos por meio de história e exame físico.

Os critérios de diagnóstico para a bronquiolite incluem, mas não estão limitados a: coriza, taquipneia, tosse, mudança de cor, retração costal, batimento de narinas, falta de ar, chiado, presença de crepitações finas na inspiração, expiração prolongada, baixa saturação de O2.

Deve-se ter em conta a sazonalidade dos vírus respiratórios ao se considerar o possível diagnóstico de bronquiolite aguda.

Exames de laboratório e radiológicos (radiografia de tórax, culturas de sangue ou urina, gasometria, testes rápidos para vírus, oximetria de pulso) são considerados, mas não se recomenda seu uso rotineiro.

Tratamento4

Na maioria dos casos leves orienta-se aumento da ingesta hídrica, limpeza de vias aéreas superiores se necessário, manter decúbito elevado,  e observar sinais de piora ou complicações (como febre, taquipneia ou queda do estado geral).

HOSPITALIZAÇÃO. Recomenda-se hospitalização de lactentes com sinais de doença grave (B). A hospitalização também deve ser considerada em pacientes com fatores de risco para gravidade (B).

SUPLEMENTAÇÃO DE OXIGÊNIO. Recomenda-se suplementação de oxigênio para manter saturação acima de 90%. Quando a oximetria de pulso não estiver disponível, recomenda-se que a criança com sinais clínicos de esforço respiratório aumentado receba suplementação de oxigênio (D).

ADRENÉRGICOS INALATÓRIOS. Não se recomenda uso rotineiro de adrenérgicos inalatórios no tratamento ambulatorial ou hospitalar da BVA. Pode-se realizar teste terapêutico em pacientes com desconforto respiratório de moderado a grave; uma resposta positiva autoriza o uso do broncodilatador com objetivo de alívio do desconforto respiratório em curto prazo (A). O uso de adrenérgicos pode estar associado a eventos adversos. Os eventos graves não são frequentes (A).

ADRENALINA INALATÓRIA. Não há evidência que sustente a recomendação para o uso rotineiro de adrenalina inalatória no tratamento de lactentes com BVA hospitalizados ou tratados ambulatorialmente (A).

ANTICOLINÉRGICOS. Não se recomenda uso rotineiro de anticolinérgicos no tratamento da BVA (B).

CORTICOSTEROIDES. Não se recomenda uso de corticosteroides no tratamento ambulatorial ou hospitalar da BVA (A).

SOLUÇÃO HIPERTÔNICA. Não se recomenda uso rotineiro de solução hipertônica para o tratamento da BVA (A).

MACROLÍDEOS. Não se recomenda uso de macrolídeos no tratamento da BVA.

ANTILECOTRIENOS. Não se recomenda uso de antilecotrienos para a prevenção de sibilância recorrentes após BVA (A).

RIVABIRINA. O uso de rivabirina pode trazer riscos a pessoas expostas ao aerossol, especialmente gestantes (D). A segurança da ribavirina para os pacientes não foi adequadamente avaliada.

FISIOTERAPIA RESPIRATÓRIA. Não se recomenda uso rotineiro de fisioterapia respiratória no tratamento da BVA (B).

GAMAGLOBULINA HIPERIMUNE. O uso de gamaglobulina hiperimune VSR é capaz de prevenir infecções graves, porém apresenta desvantagens em relação ao palivizumabe; é um hemoderivado de uso endovenoso que pode estar associada à sobrecarga hídrica, por isso não é autorizado em cardiopatas e também pode interferir com a eficácia de vacinas (A).



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